Antonio é um dos amigos que fiz por aqui, é de uma cidade vizinha chamada Roccasecca. É formado em pedagogia e seu sonho é ir morar em algum país da américa latina.
Desde que voltou a fazer academia queria correr para perder uns quilinhos mas não tinha companhia. Sábado, já no final da tarde, passou aqui em casa para corrermos juntos.
Fomos de carro até um ponto, estacionamos e começamos a correr. Foram vinte e cinco minutos até sua casa, onde paramos por uns cinco minutos, tomamos uma água e voltamos a correr em direção ao carro. Aqui o terreno é todo cheio de subidas e descidas e poucos minutos já são sufucientes para deixar cansado. Mais vinte e cinco minutos e chegamos ao carro novamente. Fizemos um pouco de alongamento e na hora de entrar no carro ele vira e me diz:
– Me dá a chave do carro.
– Não está comigo.
– Como não? Eu entreguei pra você.
– Mas eu te devolvi para você abrir a porta da sua casa!
– Mas quando saímos você não pegou?
– Por que eu pegaria? A chave estava com você!
– Eu deixei em cima da mesa…
Estávamos estacionado em uma estrada deserta no alto da montanha, exaustos e sem a chave do carro. Pra piorar já estava escuro e nenhum de nós havia pego o celular pra que não incomodasse no bolso.
– E agora, o que fazemos? – perguntou Antonio com esperança de que eu tivesse alguma idéia.
– Vamos voltar à sua casa a pé mesmo.
– Mas já está escuro, é perigoso por causa dos carros. Essas estradas não tem iluminação e são muito estreitas.
Enquanto pensavamos, parou um carro a uns vinte metros de nós. Resolvemos ir até ele pedir ajuda.
– Antonio, fala você porque se ouvirem meu sotaque estrangeiro vão achar que somos assaltantes…
– Mas o que a gente fala?
– A verdade…
Falamos com o rapaz que estava no carro que, muito gentilmente, se dispôs a nos levar até a casa de Antonio. Ele tinha parado ali para pegar sua namorada, e quando a garota entrou no carro descobrimos que coincidentemente ela conhecia Rita e Rocco.
– Ah! Então você é o rapaz brasileiro que está morando na casa da tia do Simone?
– Sim, eu mesmo.
Conversamos um pouco e logo chegamos. Fomos recebidos pelo pai de Antonio enfurecido:
– Mas o que aconteceu? Eu chego em casa e encontro seu celular e a chave do carro em cima da mesa, mas você e nem o carro não estavam aqui!?
Depois de esclarecer tudo, ele nos levou novamente até o carro e finalmente consegui voltar para casa.