Arquivo de Dezembro, 2008

Andrea e Enrico

Dezembro 22, 2008

Observar comportamentos sempre foi como um hobby para mim. E aos poucos aprendi a usar isso a meu favor. No cafe que eu trabalho tive um prato cheio.

Os donos sao um casal de sardos que migraram pra Milao ha uns trinta anos e tiveram uma vida de trabalho duro. Com muito suor criaram tres filhos homens, sendo que um dele, Enrico, tem problemas mentais. Agora que os filhos ja estao grandes tem que cuidar de uma “nonna” doente. Devido a estes e diversos outros problemas eles sao extremamente amargurados, acidos e ignorantes. Brigam o tempo todo entre eles, com os filhos e comigo. Nao demonstram nunca afeto ou carinho entre eles, so xingamentos e reclamaçoes.

Flavio é o filho mais velho, casado e com dois filhos. O vi somente duas vezes, mas foi o suficinte para perceber que sua vida tambem nao é das mais felizes.

Enrico, como ja citei, tem problemas mentais. Tem 21 anos mas é como se tivesse 10. A familia esta tentando pegar uma pensao por invalidez para ele. Ele terminou o colegial e nao faz nada da vida, so ajuda os pais no Cafe.

E por fim, Andrea. Deve ter seus 23 anos e trabalha numa empresa no periodo da tarde e noite. Na hora do almoço tambem ajuda os pais. Nao consigo entender como ele pode fazer parte daquela familia sendo tao diferente de todos. É unico que tem paciencia com Enrico. Cumpre muito bem o papel de irmao mais velho, é energico (sem ser ignorante) quando ele faz cagada e elogia quando faz as coisas certas. Brinca com ele, entra nas brincadeiras dele e faz e fala coisas so pra deixa-lo feliz. Ver o relacionamento deles me faz sentir bem.

 

Me faz lembrar do meu irmao.

 

(ps. Por favor, sem piadinhas do tipo “mas qual de voces é que tem problema mental)

Última Vitória

Dezembro 14, 2008

Como vocês já sabem, eu já tinha conseguido a cidadania. Mas tudo que eu tinha era um documento que dizia isso, me faltava ainda o passaporte e a carteira de identidade.

Eu estou morando em Milão mas a minha residência estava registrada em um endereço perto de Roma. Devido ao controle rigoroso e buracrático que faz o governo italiano, isso era um problema pra mim. Fazer esses documentos por aqui significaria perder tempo e gastar uma grana alta. Eu podia ir para Roma para tentar lá, mas por determinados motivos não era certo que eu conseguiria.

 

Finalmente depois de um certo planejamento, segunda passada eu fui pra lá. Saí de noite pra chegar lá de manhã cedo. Os orgãos públicos aqui na Itália funcionam só até meio-dia, então eu tinha que fazer tudo pela manhã. E eu tinha só um dia, pois deveria partir de volta para Milão para trabalhar na quarta-feira.

Chegando na estação de Roccasecca, Antonio, um amigo que fiz no tempo que eu morava lá, foi me buscar de carro. Fomos até a prefeitura de Castrocielo para fazer o RG, ao correio pagar as taxas e depois à delegacia de Frosinone (que fica a uns 45 quilometros de Castrocielo) para fazer o passaporte. Sozinho eu não teria feito tudo em tempo.

Meu trem saía só às onze horas da noite, portanto tive a tarde livre para rever o pessoal, a Rita e o Rocco e pra rever Castrocielo. Fui recebido com muito carinho por todos e me senti muito bem. Todos me convidaram para passar o natal e o ano novo lá.

Essa foi minha última vitória em todos os sentidos. Concluí de uma vez por todas o processo da cidadania, e vi que eu deixei uma marca em Castrocielo. Fiz amizades verdadeiras e vi que tenho com quem contar.

 

Que fique claro que quando falo “última”, me refiro a esta saga da cidadania, pois outras estão por vir…